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Mapeamento 1930 SARA

O mapa de São Paulo de 1930 mostra que a Praça Júlio Prestes ainda não existia. Nessa data, a Estação da Estrada de Ferro Sorocabana, com projeto de Christiano Stockler das Neves, estava em construção, iniciada em 1926. A construção sofreu revezes, com a crise de 1929 e depois com a revolução de 1932, e o edifício principal da Estação só veio a ser concluído em 1938. A praça Júlio Prestes foi criada como espaço público complementar ao edifício da Estação.

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O jornal O Estado de São Paulo, no dia 25/06/1939, anunciou a abertura da futura praça: “A abertura de uma praça ali terá assim, mais outra virtude, a de pôr à vista de todos um dos mais belos monumentos arquitetônicos de São Paulo”. Prestes Maia era então prefeito nomeado de São Paulo, cargo que exerceu de 1937 a 1945, durante a ditadura Vargas. A praça data da década de 1940.

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Mapeamento 1954 Vasp Cruzeiro

No mapeamento de 1954, a praça da estação já aparece como Praça Júlio Prestes e o Condomínio Edifício Miri, edifício moderno que conforma uma das laterais da praça, já consta com contorno tracejado, eventualmente indicando que estivesse em construção.

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De fato, anúncio de página inteira no jornal O Estado de São Paulo de 09/07/1953 trazia o futuro Edifício Miri (no anúncio tinha outro nome) na sétima laje, prometendo “entrega rapidíssima”.

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Trecho de foto aérea de São Paulo de 1958 – GEOPORTAL.

Em foto aérea de 1958, o edifício já lança sua sombra sobre um canto da Praça Júlio Prestes e se destaca em meio ao entorno horizontal.

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Foto Postal Colombo início da década de 1960

Esse postal mostra a antiga Rodoviária de São Paulo já construída (foi inaugurada em 1961), mas ainda sem a cobertura colorida que veio a caracterizá-la após a ampliação.  A posição da rodoviária de São Paulo não podia ser mais equivocada, ilhada entre os trilhos do trem e o centro histórico da cidade. Atavicamente próxima às principais estações de trem – Luz e Sorocabana. A rodoviária de São Paulo funcionou na praça Júlio Prestes até 1982, quando foi transferida para o Terminal Tietê. O Edifício Miri está indicado pela flecha.

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Foto publicada em http://www.saopauloantiga.com.br/terminal-rodoviario-da-luz/ Foto: autor não identificado

Com a construção da rodoviária, a praça Júlio Prestes foi incorporada como rotatória de ônibus e recebeu marquises laterais para embarque/desembarque e ponto de táxi.  O Edifício Miri, construído diante da praça, conviveu por mais de 20 anos com a marquise da rodoviária na sua frente.

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1963 – Foto: autor desconhecido. A marquise da rodoviária e o Edifício Miri

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Cartão postal da década de 1970 – a rodoviária ampliada e com a cobertura colorida

As marquises foram demolidas em 1986 e, em 1988, a antiga rodoviária foi transformada em um shopping popular, o Fashion Center Luz, que funcionou até 2007, quando foi desapropriado pelo Governo do Estado de São Paulo para dar lugar a um complexo cultural.

Esta foto pode ser utilizada para fins não comerciais com o consentimento do autor. Favor visitar: http://www.fotosedm.hpg.com.br

Foto aérea da praça Júlio Prestes antes das demolições fevereiro/2010. Foto: http://www.fotosedm.hpg.ig.com.br/

A foto aérea mostra, ao lado do Edifício Miri, o conjunto da antiga da rodoviária. Na foto é possível ver a ampliação para o fundo, em direção à Alameda Barão de Piracicaba, que recebeu a cúpula do arquiteto Carlos Lemos –  http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/10.108/5959

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Julho 2010 foto Geraldo Nunes Blog Cidades – Estadão. Demolição em curso.

O complexo cultural devia ocupar toda a quadra da antiga rodoviária, portanto, o plano de demolição se estendeu também aos edifícios lindeiros à avenida Duque de Caxias – incluindo o edifício Lopes de quinze andares – e às construções baixas entre o antigo conjunto da rodoviária e a rua Helvetia. A construção no local de um grande complexo cultural se alinhava à política pública do Governo do Estado de promover grandes equipamentos culturais na região: Sala São Paulo, Pinacoteca do Estado. O edifício Miri seguia resistindo.

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Perspectiva do projeto de Teatro e Escolas de Dança e Música junto à praça Júlio Prestes, arquitetos Herzog & de Meuron. A flecha indica o Edifício Miri.

O governo do Estado de São Paulo, tendo João Sayad como Secretário da Cultura (2007-2010) firmou o contrato com os arquitetos suíços Herzog & de Meuron para a construção do Complexo Cultural Luz. Porém o contrato foi considerado nulo pela justiça em setembro de 2015, e o plano acabou sendo descartado.

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Vista aérea das duas quadras que sofreram demolições junto à praça Júlio Prestes.

Na luta contra o crack e a ocupação do território pelo tráfico, a quadra do edifício Miri (indicado pela seta vermelha) também foi demolida (2012) com exceção de dois edifícios altos: o Miri e um bloco na rua Helvetia onde hoje funciona a Unidade Recomeço Helvetia, do programa Recomeço do Governo do Estado para dependentes de crack.   A desculpa para a demolição dessa segunda quadra foi a necessidade de construir instalações para o 2º Batalhão do Grupamento Norte do Corpo de Bombeiros, os bombeiros, instalados no último prédio que restou na quadra da antiga rodoviária (indicado pela flecha laranja), seriam desalojados pelo complexo cultural luz.

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Projeto de Biselli & Katchborian para o Complexo Júlio Prestes: mais de 1200 habitações populares, lojas nos térreos e escola de música Tom Jobim. A flecha indica o Edifício Miri.

Por fim, como parte da PPP da Habitação do centro expandido de São Paulo, lançada em 2014 pelo Governo do Estado, a Concessionária Canopus, que venceu a licitação para a área, escolheu por meio de concurso fechado o escritório Biselli & Katchborian Arquitetos para o projeto do Complexo habitacional e cultural Júlio Prestes (escola de música, habitação social e comércio), projeto de 2016, cujo início das obras foi anunciado em janeiro de 2017. De acordo com esse projeto, os edifícios remanescentes nas duas quadras serão mantidos. Dessa forma, o Edifício residencial Miri, com seus 77 apartamentos, será ladeado pelas novas construções.

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Captura de foto: dezembro 2016 – Google

Resiste Miri!

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