Abandono e mato alto, quase mata. No eixo fabril que se formou ao longo da antiga Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (São Paulo Railway), duas áreas estão tomadas pelo mato. Cada uma dessas duas áreas é contraparte de uma área de ocupação irregular, sua equivalente em área e formato. Além da proximidade com a linha férrea, essas áreas ocupadas por pessoas ou pela vegetação são áreas de propriedade do Estado, em suas diversas instâncias.

Campos Elíseos/Bom Retiro

A Favela do Moinho, de um dos lados do Viaduto Engenheiro Orlando Murgel, e uma área tomada pela vegetação do outro lado, bordejam o centro histórico de São Paulo, aproximadamente a 3 km da Sé, bem ali onde termina a Avenida Rio Branco.

Imagem atual google maps. Área verde e Favela do Moinho
Foto aérea de 1958. A mesma área, entre as linhas ferroviárias, quando era ocupada por galpões industriais
Imagem Google Earth do ano de 2000

A imagem aérea do ano 2000 mostra o terreno que hoje está ocupado com a Favela do Moinho com duas construções: os silos e as instalações fabris do antigo Moinho Central que havia funcionado ali.

Antigas instalações do Moinho Central por ocasião do Arte/Cidade 1997

A terceira edição do evento artístico Arte/Cidade propôs intervenções ao longo de 5 km da via férrea, chamando a atenção para o abandono da orla ferroviária central de São Paulo. A área ocupada pela Favela do Moinho pertenceu à RFFSA, cujos bens e litígios judiciais passaram para a União em 2007. Eventualmente o abandono deva-se também à indefinição jurídica sobre a posse dessas áreas.

Já com a favela ocupando o terreno e após um incêndio, a antiga instalação fabril do Moinho Central foi demolida pela prefeitura de São Paulo, após ser parcialmente implodida em janeiro de 2012. 

Imagem do Google Earth do ano de 2012

2012: o mato crescendo de um lado, de outro, a área do edifício demolido, ainda vazia. Mas nada foi feito. E a favela ocupou.  

Favela do Moinho, outubro de 2016. Foto: FMM

Mooca

Com área consideravelmente menor, a Favela do Tamanduateí, de um dos lados da avenida Presidente Wilson e, do outro lado, uma área com estruturas de concreto abandonadas e tomadas pelo mato, estão em área histórica, no coração do antigo conjunto fabril da Mooca, a pouco mais de 4 km da Sé.

Imagem atual Google maps. O retângulo vermelho destaca a Favela do Tamanduateí e a área com antigas estruturas de concreto abandonadas e tomada pelo mato, do outro lado da avenida Presidente Wilson
Estruturas abandonadas do Governo do Estado de São Paulo na avenida Presidente Wilson entre os números 2153 e 2237. Imagem Google maps

Uma matéria, de 04/02/2000, no jornal O Estado de São Paulo – “Sem-teto retirados do centro estão em prédio deteriorado” – informa que 80 famílias que ocupavam há cinco meses um edifício em precárias condições na rua Libero Badaró foram alojadas provisoriamente no esqueleto de um edifício na avenida Presidente Wilson, de acordo com a matéria, a estrutura era da Secretaria da Fazenda. Ainda segundo a matéria, dadas as precárias condições e umidade da construção, muitos preferiram ficar em barracas de lona.

Imagem Google Earth 2002. Barracos ocupam as estruturas abandonadas do Governo do Estado
Imagem Google Earth 2008. A área ocupada por barracos começa a se expandir pela orla da ferrovia
Imagem Google Earth 2012. A Favela mudou de lado na avenida Presidente Wilson

Em 2011, o terreno vazio do outro lado da Presidente Wilson, de propriedade da Prefeitura de São Paulo, foi ocupado <https://www.saopaulo.sp.leg.br/blog/moradores-de-terreno-ocupado-denunciam-acao-de-policiais/> e, em 2012, as estruturas abandonadas do Governo do Estado já estavam desocupadas, mas nada foi feito ali. Aos poucos a área foi sendo tomada pelo mato.

Ortofoto 2017 PMSP RGB

Nos imóveis públicos espalhados pela cidade, a precariedade e o desperdício, lado a lado.

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